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Na cerimónia de entrega dos diplomas de Mérito e de Excelência que teve lugar no passado mês de novembro no auditório da Faculdade de Ciências e de Tecnologias foi também atribuído o Certificado de Mérito Profissional a Teresa Soares, a única psicóloga do agrupamento pelos bons serviços que tem prestado nas nossas escolas. Curiosamente, no dia seguinte, num Seminário Nacional de Psicologia e Orientação, promovido pela Ordem dos Psicólogos e pela DGE, Teresa Soares foi chamada para receber do próprio Ministro da Educação, uma "Menção de Boas Práticas de Intervenção em Psicologia e Orientação", atribuída pela Direção Geral de Educação. 

Por estes motivos resolvemos ter uma conversa bastante informal com a 'nossa' psicóloga, que sendo a única, desempenha diferentes funções, nomeadamente: a orientação escolar e profissional dos alunos; a avaliação das necessidades educativas; o apoio psico-pedagógico; a formação do pessoal docente e não docente; o aconselhamento e orientação de questões didáticas e pedagógicas, entre outras.

No início da conversa, Teresa Soares começou por manifestar a sua enorme surpresa relativamente à atribuição das duas Menções, sobretudo porque, como referiu," no nosso país, não estamos habituados ao reconhecimento". Lamentou a escassez de recursos humanos na sua área, dado que nos últimos anos não tem havido aumento de vagas, o que a obriga a trabalhar muito sozinha. Após a constituição do agrupamento viu-se obrigada a reformular as suas intervenções e a implementar novas metodologias de modo a abranger todas as escolas do agrupamento sem deixar de fazer o que fazia antes.

Na sequência de uma formação na DGE sobre o modelo de "Abordagem Multinível" centrado em prioridades e na cooperação entre os profissionais e com os encarregados de educação, resolveu aplicá-lo na sua prática e está convencida de que a Menção atribuída pela Direção Geral de Educação se baseou exatamente nesta nova abordagem. As Intervenções Multinível fundamentam-se no modelo RTI (Response to Intervention): "Não podemos ter uma intervenção igual  para todos!", afirma. Este modelo aposta sobretudo na prevenção em detrimento da remediação e na triagem e monotorização, que vai permitir assegurar intervenções de intensidade e frequência adequadas às necessidades das crianças.

Neste momento está em curso um Projeto Piloto, em que  são rastreados todos os alunos que entram no 1º ano e que estão a realizar a aquisição da linguagem escrita, ou seja,  a competência que vai permitir aceder a todo o conhecimento posterior. "tão cedo quanto possível, assinalam-se os meninos que podem vir a ter problemas, para os ajudar a atenuar ou reverter essas dificuldades. "É um trabalho conjunto com os alunos, professores do 1º ano e encarregados de educação, que envolve professores de Apoio Educativo e de Educação Especial e até a Diretora do Agrupamento!", salienta.

Também na Orientação Vocacional dirigida aos 9ºs anos, os diretores de turma, aos quais dá formação, passaram a ter um papel central no processo. O trabalho centra-se  na  construção de um Projeto Pessoal de Estudante levando em conta "as coisas que os alunos gostam de fazer e são capazes de fazer". É uma intervenção universal dirigida a todos os alunos do 9ºano que decorre na disciplina de Cidadania. Sensivelmente a meio do 2º período, ficam sinalizados os alunos que têm necessidades adicionais, passando esses a ter outro tipo de resposta da escola, que poderá culminar em alguns casos, em processos individualizados.

Na página do SPO (Serviço de Psicologia e Orientação), alojada no Portal do Agrupamento, existe a rubrica "9º ano e depois?", que pode ser consultada por todos os alunos e encarregados de educação. No final do ano letivo, promove-se ainda uma reunião para todos os EEs, onde estão presentes professores representantes de cada curso existente na escola secundária, de forma a clarificar não só o currículo de cada curso como o perfil do aluno e também as respetivas saídas profissionais.

E é assim, com a partilha e com a troca de experiências que se constroi uma escola de referência, com identidade própria, onde os alunos aprendem a ser, trabalhar, respeitar e valorizar o outro. Uma escola onde se fomenta a autonomia, a criatividade, o espírito crítico e a aquisição de novos conhecimentos, tendo sempre em conta a especificidade de cada um.

 

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